quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Setembro Amarelo: Porque Precisamos Falar Urgentemente Sobre Suicídio na Adolescência

CC-image-courtesy-of-Flickr-Jared-Keener
Setembro Amarelo – Organizada pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio, a campanha tem como objetivo divulgar ações preventivas.
A cada 40 segundos, uma pessoa se mata no mundo, segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde. Em uma tentativa de reduzir esse número — a meta da OMS é diminuir em 10% a taxa mundial até 2020 —, a Associação Internacional de Prevenção do Suicídio criou a campanha do Setembro Amarelo e estabeleceu o dia 10 de setembro como o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A ideia é discutir o assunto e divulgar ações preventivas.
— O suicídio é o desfecho de uma doença física ou mental e pode ser prevenido quando falamos sobre o assunto. Hoje, ele é tratado como tabu, o que contribui para que continue acontecendo — explica Roberta Grudtner, coordenadora da residência médica em psiquiatria do Hospital Psiquiátrico São Pedro.

Neste ensaio vamos trazer a lume: 

  1. Uma história real
  2. Tópicos com algumas explicações sobre os motivos que levam ao suicídio
  3. Orientações sobre como conversar e lidar com a Ideação Suicida 

1 – Uma história real – Drogas, loucura e suicídio

“Vou lhes contar a história de um jovem estudante de arquitetura, aspirante a piloto da aeronáutica e poeta.Cresceu dentro da normalidade de uma família de classe média baixa de pais separados. Era um bom filho. Dedicado aos estudos e muito amoroso com os familiares e também com seus amigos.
Aos 14 anos começou a fazer o uso de substâncias psicoativas e como a sua vida parecia seguir dentro da ‘normalidade do uso recreativo da maconha’. Ele concluiu lindamente o ensino médio; ganhou 3 medalhas nacionais de matemática e física; foi tricampeão de Caratê; passou em todos os concursos que prestou, inclusive no vestibular de arquitetura da Universidade Estadual de Goiás, e se preparava para a prova de admissão para piloto da aeronáutica quando algo extraordinário aconteceu: Ele teve um surto psicótico.
Aos 19 anos, ele entrou em Franco Surto Psicótico. Sim, ele surtou literalmente: Ouvia vozes, via pessoas sem cabeças transitando pelas ruas, achava que tinha o poder curar pessoas e animais, arquitetou um plano extraordinário para salvar o planeta… As vozes eram insanas, agressivas, persuasivas e incessantes. Ele parou de dormir e de se alimentar… Perdeu mais de 10 quilos em poucos dias. A internação foi inevitável, pois o risco de suicídio era iminente.
O diagnóstico: Transtorno Psicótico Agudo, tipo Esquizofreniforme (Esquizofrenia Paranóide F20.0 – Cid 10) – com alteração grave da consciência, pensamento delirante, ideação suicida e alucinações visuais.
– Isso tem cura doutora?
– Não.
– Tem controle?
– Se ele nunca mais usar qualquer tipo de droga, pode ser que ele possa ter uma vida livre dos surtos, mas nunca mais poderá parar de tomar os remédios.  Mas se ele usar maconha mais uma única vez, nós não conseguiremos trazê-lo de volta a lucidez nunca mais.
Ele saiu da clínica livre do surto. Compreendeu a doença e aceitou o tratamento: visitas semanais à terapia e visitas diárias aos Narcóticos Anônimos. 5 meses depois ele decidiu que deveria tirar à prova o que a médica disse e fez aquele que seria o último back de sua vida.
No dia seguinte estava outra vez em surto. Desta vez mais grave. As ideações e tentativas de suicídio eram diárias. Precisou ser internado outra vez. Mas nenhum remédio foi bom o bastante para livrá-lo das malditas vozes. Nenhum tipo de tratamento severo foi autorizado: do tipo lobotomia ou eletroconvulsoterapia por sua família. E era desejo do próprio rapaz mantê-se acordado a fim de escrever tudo o que estava lhe acontecendo. E ele escreveu a sua história como aqueles que sabem exatamente o fim que dará a ela.
Ele sabia o que não queria da  vida. Ele não queria viver daquele jeito. Para alguns a esperança não é a última que morre, mas é a última esperança. Ele não queria morrer, ele apenas não queria mais viver. É diferente. E no dia 17 de agosto de 2013, aos 20 anos, o jovem poeta optou pela automorte, se enforcando no quarto da clínica onde estava internado. O nome deste jovem é Arthur Miranda, e a sua mãe sou eu”.  Clara Dawn

2 – Dos motivos que levam ao suicídio

Depressão, drogas, abusos e bullying
O suicídio na juventude intriga médicos, pais e professores também pelo paradoxo que representa: o sofrimento num período da vida associado a descobertas, alegrias e amizades, não a tristezas e morte.
O tema foi debatido numa roda de conversa organizada pelo Centro Acadêmico Sir Alexander Fleming (Casaf), do curso de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com a presença de estudantes e professores.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o problema é normalmente associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais – violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying.
A cientista política Dayse Miranda, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção da UERJ, participou do debate e destacou os relatos dos estudantes.
“Fiquei impressionada como os alunos falaram de sofrimento, seja deles, seja a dificuldade para lidar com o sofrimento de outros jovens, além do uso excessivo de medicamentos, que eles naturalizam”, afirma.
“Um deles disse considerar impossível um aluno passar pelo terceiro ano de Medicina sem usar remédios para ansiedade e depressão”.
A coordenadora-geral do centro acadêmico de Medicina, Elisabeth Amanda Gomes Soares, de 22 anos, aluna do sexto período, diz que a intenção ao promover o evento foi debater a saúde mental do estudante.
Segundo ela, o aluno de Medicina muitas vezes acaba se distanciando das questões mais humanas e esquece a vida social e familiar para se dedicar ao curso, sucumbindo às pressões.
“É muita cobrança por competitividade, nota, sucesso, presença… Temos de discutir isso dentro do curso, é um tema ainda pouco falado”, afirma.
Dayse Miranda destaca, entre os jovens que cometem suicídio, o grupo que tem de 15 a 24 anos. “É um período que inclui adolescência, problemas amorosos, entrada na faculdade, pressão social pelo sucesso… Depois dos 25 anos, já é um jovem adulto, as preocupações mudam, já são mais relacionadas a emprego”, avalia.
“Também alerto não ser possível falar do jovem como um grupo único. Há diferenças entre grupos sociais. O aluno de Medicina é parte de uma elite. Como é em outros grupos? Temos de discutir esse tema seriamente, pois o problema vem crescendo.”

Ambiente escolar

Psiquiatra da infância e da adolescência e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Carlos Estelita estuda a interface entre o suicídio e outros fenômenos violentos – desde famílias que vivem em comunidades urbanas tomadas por tiroteios e vivem o estresse diário dos confrontos até jovens indígenas que se sentem rejeitados tanto por suas tribos como por grupos brancos.
O bullying no ambiente escolar é citado por ele como um dos principais elementos associados ao suicídio. “Pessoas que seguem qualquer padrão considerado pela maioria da sociedade como desviante, seja o tênis diferente, a cor da pele, o peso, o cabelo ou a orientação de gênero, são hostilizadas continuamente e entram em sofrimento psíquico”, afirma Estelita, professor do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, ligado à Fiocruz.
“Temos de alertar também para a transformação do modelo tradicional de família e para o fato de que a escola nem sempre consegue incluir esse jovem”.
Outra dificuldade é falar do assunto com jovens. Muitas vezes, estratégias que funcionam com adultos não têm o mesmo resultado quando usadas com adolescentes – e, entre as peculiaridades desse grupo, está a forma como usa a internet e as redes sociais.
A rede vem sendo palco para grupos que não só romantizam o suicídio, mas exortam jovens a cometê-lo, usando a falsa ideia do desafio. O psiquiatra sublinha a necessidade de uma política nacional de atendimento a urgências, pois, muitas vezes, os profissionais não sabem como lidar com casos de tentativas de suicídio.
A psicóloga Mariana Bteshe, professora da Uerj, diz que os pais devem estar atentos a qualquer mudança brusca no comportamento do jovem, como, por exemplo, um adolescente expansivo que, de repente, fica introspectivo, agressivo, tem insônia, dorme demais ou passa muito tempo no quarto.
Mais uma vez, o alerta especial vai para o uso da internet, e Bteshe lista, na contramão do jogo que incentivaria o suicídio, iniciativas que tentam combater a depressão e lançam desafios “do bem”, como o jogo da Baleia Rosa.
“Muitas vezes o jovem fica muito tempo na internet, e os pais não sabem o que ele anda vendo ou com quem anda falando. É preciso que a família, mantendo a privacidade do jovem, busque uma forma de contato com ele e abra um espaço de diálogo”, afirma a psicóloga, que defendeu na Fiocruz uma tese de doutorado sobre suicídio.
Bteshe reitera que silenciar sobre suicídio não ajuda a combater o problema. Por muito tempo não se tratou abertamente do tema por medo do chamado “Efeito Werther” – a ideia de que falar do assunto poderia inspirar ondas de casos por imitação.
O nome vem do protagonista do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, publicado em 1774, sobre um rapaz que se mata após um fracasso am oroso e cujo exemplo teria provocado outros suicídios de jovens.
Atualmente, diz Bteshe, psicóloga do Programa de Apoio Psicopedagógico ao Estudante da Faculdade de Medicina da UERJ, a diretriz da OMS é abordar o tema sem glamour, sem divulgar métodos e sem apontar o suicídio como solução para os problemas – agindo sem preconceito e oferecendo ajuda a quem precisa.

O efeito Baleia Azul 

Criador do Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz destaca que o suicídio também cresce no conjunto da população brasileira. A taxa aumentou 60% desde 1980.
Em números absolutos, foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014, um dado que costuma desaparecer diante da estatística dos homicídios na mesma faixa etária, cerca de 30 mil.
“É como se os suicídios se tornassem invisíveis, por serem um tabu sobre o qual mantemos silêncio. Os homicídios são uma epidemia. Mas os suicídios também merecem atenção porque alertam para um sofrimento imenso, que faz o jovem tirar a própria vida”, alerta Waiselfisz, coordenador da Área de Estudos da Violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).
O sociólogo aponta Estados do Centro-Oeste e Norte em que a taxa de suicídio de jovens é maior, num fenômeno que os especialistas costumam associar aos suicídios entre indígenas: Mato Grosso do Sul (13,6) e Amazonas (11,9).
Na faixa etária de 15 a 29 anos, a taxa de suicídio tem se mantido sempre um pouco acima da verificada na população brasileira como um todo, segundo a publicação “Os Jovens do Brasil”, lançada por Waiselfisz em 2014, com um capítulo sobre o tema.
Segundo a publicação, o Brasil ainda apresenta taxas de suicídio relativamente baixas na comparação internacional feita com base em dados compilados pela ONU.
Em países como Coreia do Sul e Lituânia, a taxa no conjunto da população supera 30 por 100 mil habitantes; entre jovens, supera 25 por 100 mil habitantes na Rússia, na Bielorússia e no Cazaquistão.
Em números absolutos, porém, o Brasil de dimensões continentais ganha visibilidade nos relatórios: é o oitavo país com maior número de suicídios no mundo, segundo ranking divulgado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2014. (Fonte – BBC)

O uso de drogas na adolescência e os transtornos mentais

A Adolescência é um período de intensas atividades e transformações na vida mental do indivíduo, o que, por si só, leva a diversas manifestações de comportamento que podem ser interpretadas por leigos como sendo doença. Assim sendo, muitas das manifestações ditas normais da adolescência podem se confundir com doenças mentais ou comportamentos inadequados.
Exemplo disso é o uso de drogas, que pode constituir-se em um caso de dependência, mas também pode constituir-se em um simples comportamento de experimentação da vida. Temos de ter o cuidado inicialmente de avaliar bem o comportamento de um adolescente, antes de se garantir a existência ou não de um transtorno mental. Para tanto é necessário se conhecer um pouco acerca do que chamamos de “adolescência normal”.
Por que as drogas desencadeiam transtornos mentais?
Hoje ainda, até o fim do dia, 1 milhão de brasileiros terão fumado maconha. A maioria dessas pessoas está plenamente convencida de que a droga não faz mal. Elas conseguem trabalhar, estudar, namorar, dirigir, ler um livro, cuidar dos filhos.
Fumar na adolescência, então, é um hábito que pode ter consequências funestas para o resto da vida da pessoa. Aqueles cartazes das marchas que afirmam que “maconha faz menos mal do que álcool e cigarro” são fruto de percepções disseminadas por usuários, e não o resultado de pesquisas científicas incontrastáveis.
Maconha não faz menos mal do que álcool ou cigarro. Cada um desses vícios agride o organismo a sua maneira, mas, ao contrário do que ocorre com a maconha, ninguém sai em passeata defendendo o alcoolismo ou o tabagismo.
Apenas 10% dos pacientes internados em clínicas de recuperação de dependentes foram parar ali para tentar se livrar do vício da maconha. Ainda assim, muitos dos usuários da droga nessas clínicas foram diagnosticados com esquizofrenia, bipolaridade, depressão aguda ou ansiedade – sendo o vício de maconha apenas um componente do quadro psicótico e não seu determinante. Risco mais alto de desenvolver esquizofrenia ou depressão
Com 224 milhões de usuários em todo o mundo, a maconha é a droga ilícita universalmente mais popular. E seu uso vem crescendo – em 2007, a turma do cigarro de seda tinha metade desse tamanho. Cerca de 60% são adolescentes. Quanto mais precoce for o consumo, maior é o risco de comprometimento cerebral.
Dos 12 aos 23 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Em um processo conhecido como poda neural, o organismo faz uma triagem das conexões que devem ser eliminadas e das que devem ser mantidas para o resto da vida. A ação da maconha nessa fase de reformulação cerebral é caótica. Sinapses que deveriam se fortalecer tornam-se débeis. As que deveriam desaparecer ganham força.
Os efeitos psicoativos da maconha são conhecidos desde o ano 2000 antes de Cristo. Seu princípio psicoativo mais atuante é o tetraidrocanabinol (THC). Um outro componente da droga, o canabidiol, é o principal responsável pelos seus efeitos potencialmente terapêuticos. Dos aproximadamente 400 elementos químicos na maconha, o delta-9-tetrahidrocanabinol, conhecido com THC, é responsável por muitos dos efeitos psicotrópicos (alteração da função cerebral) da droga.
Quando a maconha é fumada, THC passa rapidamente dos pulmões para dentro da corrente sanguínea, onde é transportado para os órgãos do corpo, incluindo cérebro.
Quando entra no cérebro, THC liga-se a células, ou neurônios, com tipos específicos de receptores chamados receptores canabinóides. Essas células são parte de uma rede de comunicação no cérebro, chamada sistema endocanabinóide, que é importante para seu desenvolvimento e funcionamento.
A maioria dos receptores canabinóides é encontrada em partes do cérebro que influenciam o prazer, memória, raciocínio, concentração, percepção sensorial e temporal, e coordenação de movimentos. A maconha interfere no sistema endocanabinóide. Um dos efeitos é a liberação de dopamina no cérebro, o que cria uma sensação de prazer, ou “barato”. Outros efeitos incluem alterações na percepção e humor, perda de coordenação, dificuldade de raciocínio e solução de problemas, e problemas com memória e aprendizado.
Certas partes do cérebro têm muitos receptores canabinóides. Essas áreas são o hipocampo, cerebelo, gânglia basal e córtex cerebral. As funções que essas áreas do cérebro controlam são as mais afetadas pela maconha.
Quais as drogas que mais desencadeiam a esquizofrenia?
O uso indiscriminado de qualquer tipo de droga na adolescência pode desencadear transtornos mentais em indivíduos geneticamente predispostos. Mas o uso indiscriminado da maconha na adolescência por indivíduos geneticamente predispostos é a maior causa do desencadeamento da esquizofrenia.
A ligação entre maconha e esquizofrenia foi observada pela primeira vez no início de 1970; desde então, tem havido uma quantidade considerável de interesse nesta área, levando à mudança de classificação da maconha da classe de drogas C para B em 2009.
Um dos primeiros e maiores estudos (mais de 15 anos) sobre os efeitos da maconha e desenvolvimento de esquizofrenia foi o estudo sueco que descobriu que entre 45.570 homens que foram recrutados no exército, os usuários mais frequentes de maconha tinham 06 vezes mais risco de ter esquizofrenia do que os não usuários! Aqueles que só usaram maconha uma vez tiveram um risco 2,4 vezes maior que os não usuários. Reavaliação mais recentemente (2012) encontrou um risco três vezes maior para a esquizofrenia em pessoas usando maconha com mais frequência. Estes estudos reforçaram os resultados da associação entre o uso de Maconha e transtornos psicóticos.
Estudos na Nova Zelândia, examinando o estado de saúde mental de 1.037 indivíduos, concluíram que o risco específico para desenvolver esquizofrenia era para uso de maconha, e não de outros fármacos. Os sintomas de psicose anteriores ao uso de maconha foram controlados demonstrando que o uso da maconha não é secundário a sintomas pré-existentes e que usuários de maconha são mais propensos a apresentar sintomas psicóticos do que os não usuários. Isto reforça a relação entre o aumento dos quadros psicóticos/esquizofrênicos e uso de maconha; que parece ser um fator de risco à psicose.
Especialistas da Harvard Medical School e da Northwestern University, de Chicago (EUA), analisaram a ressonância magnética de 20 usuários de maconha, com idade entre 18 e 25 anos. Eles compararam as imagens às de cérebros de pessoas que nunca fizeram uso da droga.
3 – Prevenção ao suicídio
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a tendência é de crescimento dessas mortes entre os jovens, especialmente nos países em desenvolvimento. Nos últimos vinte anos, o suicídio cresceu 30% entre os brasileiros com idades de 15 a 29 anos, tornando-se a terceira principal causa de morte de pessoas em plena vida produtiva no País (acidentes e homicídios precedem). No mundo, cerca de um milhão de pessoas morrem anualmente por essa causa. A OMS estima que haverá 1,5 milhão de vidas perdidas por suicídio em 2020, representando 2,4% de todas as mortes.
Em muitos países, programas de prevenção do suicídio passaram a fazer parte das políticas de saúde pública. Na Inglaterra, o número de mortes por suicídio está caindo em consequência um amplo programa de tratamento de depressão. Ações semelhantes protegem vidas nos Estados Unidos. Um dos focos desses programas é diagnosticar precocemente doenças mentais. De acordo com uma recente revisão de 31 artigos científicos sobre suicídio, mais de 90% das pessoas que se mataram tinham algum transtorno mental como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar e dependência de álcool ou outras drogas.
No Brasil, porém, persiste a falta de políticas públicas para prevenção do suicídio, com o agravo da passagem do tempo e do aumento populacional. Em 2006, o governo formou um grupo de estudos para traçar as diretrizes de um plano nacional de prevenção do suicídio, prometido para este ano. O que temos até então é um manual destinado a profissionais da saúde. O nome do documento é Prevenção do Suicídio – Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental.
Reduzir o suicídio é um desafio coletivo que precisa ser colocado em debate. “Nossa resposta não pode ser o silêncio. Nossas chances de chegar às pessoas que precisam de ajuda dependem da visibilidade”, disse-me o psiquiatra Humberto Corrêa para um artigo sobre suicídio publicado pela corajosa revista Planeta (Suicídio aumenta no Brasil, mas isso poderia ser evitado, edição 421, Outubro de 2007). “Uma das nossas tarefas é convencer donas de casa, pais, educadores, jornalistas, publicitários, líderes comunitários e formadores de opinião de que o debate sobre o suicídio não é uma questão moral ou religiosa, mas um assunto de saúde pública e que pode ser prevenido. Aceitar essa ideia é o primeiro passo para poupar milhares de vidas”, alertava o especialista. (Fonte: Mônica Tarantino  – Revista Isto È)
Já é Lei: Câmara de Petrópolis aprova a Campanha Municipal Setembro Amarelo – Dia de Prevenção ao Suicídio De autoria da Vereadora Gilda Beatriz, a Lei Municipal número 7.326, que institui  a “Campanha Municipal Setembro Amarelo – Dia de Prevenção ao Suicídio” a ser realizada anualmente, no dia 10 de setembro.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Série: Esquizofrenia Concomitante Com o Uso de Drogas: é Possível Evitar

Testemunho 1: E eu que nunca fumei maconha. Nunca usei qualquer tipo de droga e estou falando também do álcool. Me vejo inserida nesse contexto social e impulsionada a expor a experiência acerca da esquizofrenia vivenciada pelo meu filho, Arthur Miranda. Ele começou a fumar maconha aos 14 anos e usou-a de modo exacerbado durante cinco anos. Depois de todo esse tempo nas grimpas alucinógenas da maconha, o meu filho surtou. Por sete meses tentamos tirá-lo do surto psicótico: onde ele ouvia, 24 horas por dia, vozes e também via pessoas sem cabeça transitando pela casa... Por fim, ele se matou. Meu filho, poeta, estudante de arquitetura, aspirante a arquiteto da Aeronáutica...(jamais revelou quaisquer sintomas de anomalias mentais) Meu filho lindo, amado e tão festivo, se matou. Se eu sabia que ele usava maconha? Sim, eu sabia e vivia feliz pensando: 'que bom que ele SÓ usa maconha'. Eu não sabia, ele não sabia... ninguém podia imaginar que ele tinha predisposição genética para os transtornos mentais; que ele tinha predisposição genética para dependência química. Sabe, isso não sai em exame de sangue e nem no teste do pezinho.



A coisa mais incrível nessa história toda (e tudo que digo é provável com laudos, exames e testemunhas) é que meu filho depois do primeiro surto passou 5 meses e 27 dias sem ouvir às vozes e tudo indicava que ele poderia ter uma vida "normal" apesar do diagnóstico: "Esquizofrenia do tipo esquizoforme concomitante com o uso de tetra-hidrocarbinol"... Mas qual?, ele em sua ânsia de ter a certeza de que era mesmo a maconha que desencadeava os surtos, planejou uma recaída. E no dia do seu aniversário de 20 anos, fumou dois cigarros de maconha. A psiquiatra já o havia alertado que caso isso acontecesse ele enlouqueceria outra vez... Foi isso que aconteceu... E depois de dois meses em Franco Surto Psicótico ele optou pela automorte. Ele deixou toda a sua experiência com o uso da maconha e com o surto psicótico em um manuscrito do qual chamou de "No Jardim de ervas daninhas: pague para entrar e reze para sair". 


Não é verdade que ele queria morrer, pois ele amava viver, sorrir, brincar... Mas ele não suportava mais viver daquele ouvindo vozes e vendo acéfalos. Ele não queria morrer, ele só não queria mais sobreviver. É diferente.

Eu gostaria de deixar bem claro que a minha intenção ao relatar essa história não é a de promover debates sobre a legalização e/ou descriminalização da maconha ou quaisquer outras drogas, mas sim, propor a reflexão sobre os riscos da drogadição ativa na adolescência por indivíduos geneticamente predispostos.

Tenho "apanhado" muito com a exposição dessa história, mas também imensamente apoiada. Eu não gostaria que isso tivesse acontecido com o meu filho e eu jamais revelaria as minhas vísceras em público, não tivesse eu a plena certeza do que eu digo. Eu não exporia a vida do meu único filho ao escárnio, se ele mesmo, antes de decidir pela morte, não tivesse feito isso em suas redes sociais de modo a se colocar como exemplo. Eu poderia, agora que não tenho mais problema algum com drogas em casa, seguir vivendo a minha vida tranquila e ignorar o fato de que o exemplo do meu filho pode servir de alerta aos que ainda não entraram na drogadição. Eu poderia. Sim, eu poderia, mas a minha consciência social não me permite.

É preciso que os jovens compreendam que tudo na vida evolui e a cannabis evoluiu também: há trinta anos atrás a quantidade de THC (principal substância psicoativa encontrada na maconha) era de 6% e atualmente é 25% com a média a subir, nos próximos anos, cerca de 13%....) Meninos e meninas de 10 a 24 anos, não entrem no jogo das drogas. Digam 'NAO' - Vocês podem encontrar alegria de viver na música, na dança, nas artes em gerais e nos esportes. Venha comigo?" Clara Dawn (Para ler as minhas pesquisas: www.projetob16.blogspot.com)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Maconha pode desencadear a esquizofrenia quando usada na adolescência



Maconha todo mundo sabe o que é. Mas se você não é um psiquiatra ou um esquizofrênico, vale explicar do que se trata a esquizofrenia. 

Trata-se de um distúrbio mental que leva a sintomas como alucinações, delírios, alterações de pensamento e perda da realidade. De certa forma, é como um baque do efeito da maconha, só que incurável. É como entrar numa balada eletrônica (com luzes de neon, gritos, risadas, visões de acéfalos e tals)e não sair nunca mais dali.



Os caras que vivem pra estudar essas coisas, afirmam que fumar maconha, uma vez por semana, é o suficiente para desencadear os surtos psicóticos que levam a esquizofrenia em adolescentes que têm essa tal de predisposição genética pra coisa. (Fica ligado, predisposição genética não aparece em exame de sangue).

Escuta essa, irmão: pesquisadores na Holanda, reuniram 95 usuários da maconha, dos quais 48 eram pacientes com eram adolescentes entre 14 e 24 anos. Durante seis dias, a missão dos voluntários era anotar o que estavam fazendo e como se sentiam, 12 vezes por dia. Os resultados mostraram que os adolescentes eram mais sensíveis do que os adultos aos efeitos da alucinógenos da cannabis.

O problema é que o cérebro do adolescente está em formação (fase de poda, como dizem os psiquiatras) e realmente sofre danos irreversíveis com o uso constante da maconha, e estes podem desencadear doenças mentais incuráveis, como a esquizofrenia.

Qualquer outra droga tem os efeitos negativos interrompidos quando a pessoa para de usar, menos a maconha. Os danos que ela causa ao cérebro, já disse, são irreversíveis e abrangentes. E se, por simples ignorância, o adolescente, mesmo depois de um surto psicótico, continuar usando a maconha: seus quadros psicóticos se agravam, suas alucinações são mais frequentes e o tempo de recuperação e reação a terapias e medicamentos aumenta drasticamente. Em suma, quando o adolescente predisposto geneticamente a esquizofrenia fuma um cigarro de maconha, é como se fumasse uns cinco de uma vez só. Pode ser até econômico financeiramente falando, mas a viagem ao fundo do poço, para eles, é certamente muito mais profunda e subida ? (...) Tem gente que consegue viver com a loucura. Você quer pagar pra ver?


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Projeto Bola 16 - O que é?

Somente é possível compreender de fato os significados dos temas: drogas, transtornos mentais e suicídio, quando uma dessas três coisas acontece com alguém da família. Até mesmo os profissionais que atuam nessas áreas concebem que o verdadeiro saber surge da vivência imediata das situações.

... No final de 2012, eu fui impulsionada a estudar o assunto “A esquizofrenia desencadeada pelo uso efetivo da maconha na adolescência”, pois o meu filho, Arthur Miranda, então com 19 anos, fora internado numa clínica psiquiátrica em “Franco Surto Psicótico com Risco Eminente de Suicídio”, segundo a doutora Dagmar Ramos do Centro Clínico São Francisco de Assis, em Aparecida de Goiânia.

Arthur ficou internado por trinta dias e recebeu alta livre do surto psicótico, mas sob o diagnóstico de “Transtorno Mental Agudo do Tipo Esquizofreniforme”. Desde então, eu tenho me dedicado às pesquisas acerca dos “Transtornos Mentais Concomitantes Com o Uso Efetivo de Drogas na Adolescência”.

Mas o desfecho dessa história real não se conclui assim: com tratamento, recuperação e final feliz. Pois, cinco meses após o primeiro surto psicótico, Arthur voltou ao uso da maconha e, com isso, o que estava controlado reacendeu com força total. E ele foi internado de novo! Mas desta vez não conseguiu livrar-se das audições e alucinações. E após 45 dias de vãs tentativas medicamentosas para tirá-lo do estágio de surto, ele optou pelo suicídio...

O Projeto Bola 16, com foco nos riscos e danos que as drogas causam à saúde mental da criança e do adolescente de modo a conduzir, com o uso efetivo, ao desencadeamento de transtornos mentais em indivíduos geneticamente pré-dispostos, destina-se a mostrar dialeticamente, por meio de palestras e exemplos expostos na pesquisa de campo, os males da drogadição, prevendo os riscos dos transtornos mentais e o suicídio concomitantes com o uso indiscriminado de drogas lícitas e ilícitas, na adolescência.


Clara Dawn



Subtítulo: A Drogadição na Infância e Adolescência Numa Perspectiva Preventiva aos Transtornos Mentais e ao Suicídio.

O presente projeto é PREVENTIVO e não se posiciona em termos políticos de legalização ou descriminalização de quaisquer drogas, antes preocupa-se apenas em mostrar por meio de pesquisas teóricas e de campo que o uso de substâncias psicoativas na infância e adolescencia pode desencadear transtornos mentais em indivíduos geneticamente predispostos. Reiteramos com a pergunta: como saber se uma pessoa tem predisposição genética e dependência química? Esse tipo de coisa não aparece em exames de sangue e outros. O Projeto Bola 16 não é contra o uso de cannabidiol como remédio. Nosso objetivo é alertar adolescentes dos riscos do uso indiscriminado de drogas.  

Equipe Bola 16:

Prof. Quitéria França - apresentação do projeto
Objetivos, dinâmicas, público e metas

Prof Celso Moraes - Abordagem pedagógica e dinâmicas

Doutor Danilo Melo - psiquiatra que aborda a ligação entre drogas e transtornos.

Clara Dawn, psicopedagoga, escritora, palestrante do tema: A Drogadição na Infância e Adolescência Numa Perspectiva Preventiva aos Transtornos Mentais e ao Suicídio. E ainda fala da própria experiência com o seu filho, Arthur Miranda.

Luciano Caldas, ator, produtor e diretor do espetáculo: Voltando Pra Casa - Texto de Arthur Miranda (Em memória)

Thálitha Miranda (criadora da logo B16 e responsável pela arte gráfica do projeto nas redes sociais)

Metodologia: palestras, debates  e a apresentação do  espetáculo Voltando Pra Casa com o ator Luciano Caldas.

O Espetáculo: Voltando Pra Casa - Texto de Arthur Miranda (Em memória) – com produção, direção e atuação de Luciano Caldas, trata-se de fragmentos do livro No Jardim de Ervas Daninhas, Pague Para Entrar, Reze Para Sair, quando o autor, em fase de surto psicótico, descreve a sua experiência com a drogas e a loucura. O ator Luciano Caldas está espetacular no papel do jovem esquizofrênico que busca libertar-se das audições e alucinações através da automorte.



 Galeria de Imagens

Mais sobre o projeto:

Resumo:
O Projeto Bola 16 - Drogadição na infância e na adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio, pretende trabalhar a prevenção à drogadição na infância e na adolescência. Este projeto destina-se mostrar dialeticamente, por meio de palestras e exemplos expostos na pesquisa de campo, os males da drogadição, em indivíduos geneticamente predispostos, prevendo os riscos dos transtornos mentais e o suicídio, concomitantes com o uso indiscriminado de drogas lícitas e ilícitas, na adolescência. 
1.     Missão:
Correlacionar-se com pré-adolescentes e adolescentes, mediante processos reflexivos educativos sob a perspectiva de prevenir o uso de substâncias psicoativas.
2.     Visão:
Sermos referência regional, estadual e até nacional como métodos práticos e simples na prevenção ao uso de drogas; sermos reconhecidos pela Secretaria de Educação do Estado de Goiás, como eficiente estratégia de reflexão e de educação voltada a prevenção e ao combate dos inúmeros transtornos físicos, mentais e psicossociais relacionados às drogas.
3.     Objetivo Geral:
Levar a equipe do Projeto Bola 16 – Drogadição na infância e na adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio, de modo itinerante a escolas, clínicas, presídios e outros, oferendo lhes: palestras, debates, dinâmicas em grupo e acompanhamento psicopedagógico após o evento.
4.     Objetivos Específicos:
4.1        Levar a equipe do Projeto Bola 16 – Drogadição na infância e na adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio, de modo itinerante a escolas, clínicas, presídios e outros, oferendo lhes: palestras, debates, dinâmicas em grupo e acompanhamento psicopedagógico;
4.2        Conseguir, junto ao Ministério da Educação, inserir o tema “drogadição” aos Temas Transversais;
4.3        Propor, ao Ministério da Educação e/ou Secretarias Municipais e Estaduais de Educação, que o tema “drogadição” seja incluído como Disciplina Curricular desde a Educação Básica até o Ensino Médio;
4.4        Contribuir como agentes produtivos nas campanhas de Prevenção e de Combate ao Uso de Drogas na Infância e na Adolescência;
4.5        Promover a redução da prática da drogadição e dos prejuízos sociais sofridos pelo usuário, por sua família, sua escola e sua comunidade;
4.6        Contribuir com a política de saúde física, mental, social, educação... em suas integralidades;
4.7        Contribuir para o acesso e participação nas políticas sociais antidrogas;
4.8        Sensibilizar as redes sociais parceiras e a sociedade em geral quanto ao fortalecimento da campanha em prol da prevenção e ao combate ao uso de drogas na infância e na adolescência – com a campanha: Projeto Bola 16 – Drogas?  - Não entro nesse jogo – Sou B16!
4.9        Promover a dialética da compreensão, da pedagogia do amor, da boa vontade para com o outro, da aceitação de seus limites, da vontade de viver, da força da união e da paz social.

5.                                       O Projeto – O que pretende e o que é  Bola 16?

O Projeto Bola 16 - Drogadição na infância e na adolescência numa perspectiva preventiva aos transtornos mentais e ao suicídio, pretende trabalhar a prevenção à drogadição na infância e na adolescência. Com foco nos riscos e nos danos que as drogas causam à saúde mental da criança e do adolescente de modo a conduzir, com o uso efetivo de drogas, ao desencadeamento de transtornos mentais em indivíduos geneticamente pré-dispostos, este projeto destina-se mostrar dialeticamente, por meio de palestras e exemplos expostos na pesquisa de campo, os males da drogadição, prevendo os riscos dos transtornos mentais e o suicídio, concomitantes com o uso indiscriminado de drogas lícitas e ilícitas, na adolescência. 

Por que Bola 16?

Pensou-se num nome que pudesse instigar a curiosidade e assim imaginou-se um jogo de sinuca: a bola branco/zero e mais quinze bolas que formam uma pirâmide a ser desestruturada  e em seguida, as bolas, agora, isoladas, serão caçapadas pela virulência da bola branca. A bola 16 inexiste nesse jogo. Portanto, o título e subtítulo da campanha do projeto são: Bola 16 – Drogas?  - Não entro nesse jogo – Sou B16!

5.1        Pesquisa Teórica
A pesquisa teórica deste projete se baseia nos estudos de *Freud, *Lacan, *Piaget, *Vygotsky, *Valentin Gentil, *Ronaldo Laranjeira,  *Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas e outros Centros de Pesquisas Sobre Drogas no Brasil e no Mundo.

5.2        Pesquisa de Campo
      A pesquisa de campo foi realizada entre dezembro de 2012 a outubro de 2014, nas clínicas São Francisco de Assis em Aparecida de Goiânia; Valor da Vida em Goiânia; Hospital Psiquiátrico Casa de Euripedes em Goiânia; Hospital Espirita de Psiquiatria em Anápolis e CAPS